Dune 2020 - Ascensão e queda dos Messias

Dune 2020 – Ascensão e queda dos Messias

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O espantoso elenco que está a colocar em total estado de apoplexia os fãs de “Dune”: a Casa Atreides perfilada com Jason Momoa como o temerário Duncan Idaho em primeiro plano, Timothée Chalamet como Paul Atraides / Paul Muad’Dib lá atrás, e perto, Rebecca Ferguson como a sensual e poderosa Lady Jessica, Josh Brolin como o mestre Gurney Halleck, entre outros. A quantidade inacreditável de talento presente no Casting de “Dune” (falta aqui por exemplo Javier Barden como Stilgar !! Stellan Skarsgård como Barão Vladimir Harkonnen !!, Charlotte Rampling como Mãe Reverenda Gaius Helen Mohiam !! enfim…) indicia que não se olhou a despesas na missão de trazer à vida (mais uma vez) a imortal saga que Herbert escreveu sobre a volatilidade dos Líderes Humanos, sobre a religião, o equilíbrio dos ecossistemas, os povos proscritos, o socialismo e as utopias; tudo questões pertinentes e perfeitamente actuais, que invocam a tremenda profundidade de “Dune”, nas suas múltiplas interpretações filosóficas e políticas que o colocam na prateleira exclusiva das grandes obras da literatura mundial.

Josh Brolin e Timothée Chalamet

“Dune” é além de tudo uma obra profundamente humana, nela se retrata a ascensão de um líder, um (falso) messias, com uma palavra de esperança que leva a um povo proscrito, levando a cabo uma dilacerante luta pela sua libertação, pelo que é justo, pelo que está certo; mas esta sua missão está juncada de interrogações e sombras, escondendo um futuro sombrio, um horizonte povoado pela sombra do totilitarismo, da intolerância e dos fascismos. A luta de Paul Muad’Dib pela justiça, pela igualdade, pela liberdade irá o transfigurar a si e ao povo que jurou libertar da oligarquia e de opressão, paradoxalmente em algo ou alguma coisa que nunca foi sonhada, mas que aconteceu como se fizesse parte de uma estranha ordem natural das coisas. E essa é a mensagem terrível e ao mesmo tempo cheia de humanidade que “Dune” nos ensina: Um homem, uma mulher, um ser humano, é fruto do seu contexto, do seu momento no tempo e espaço. A lenda eterna do amanhecer de Paul Muad’Dib e dos Fremen, irá ser contada de novo.